Todos precisamos de afecto

"Os homens são seres que vivem em relação. Alimentam-se tanto de carícias e de atenções como de pão.
Privados de comunicação, sofrem. Aliás, o isolamento é a punição preferencial destinada aos prisioneiros rebeldes, e também é utilizado como instrumento de tortura.
Há alguns decénios, o psicólogo suiço René Spitz observou bebés hospitalizados. Eram tratados, lavados e alimentados, recebiam todos os cuidados necessários e no, entanto, morriam. Os recém-nascidos começavam por gritar, chamar, depois calavam-se, já não gritavam, já não chamavam; tinham compreendido que era inútil. Encolhiam-se e refugiavam-se no seu interior. Deixavam de se alimentar e, sem fazerem barulho, deixavam-se morrer docemente. Spitz chamou a este síndroma hospitalismo. Ninguém lhes sorria nem lhes falava, não eram importantes para ninguém, para quê viver?
A partir destes trabalhos, o pessoal de saúde foi sensibilizado para esta questão, os mimos foram considerados como parte integrante dos cuidados e um dos pais pode ficar com o bebé na maior parte dos serviços pediátricos. Actualmente já só verificamos o hospitalismo nos orfanatos dos países pobres, totalitários, ou em guerra, em que a urgência parece não ser a afectiva. Digo bem parece porque as crianças lá morrem tanto por falta de reconhecimento e de afecto como de fome ou de doença.
Não há nada mais insuportável do que o isolamento. Somos perto de seis biliões sobre a terra, agrupados nas cidades. Os meios de transporte e de comunicação são ultra-rápidos e de fácil acesso, no entanto, a solidão é um mal que cresce."
Este texto é extraído do livro "A inteligência do Coração" de Isabelle Filliozat, psicoterapeuta, especializada em análise transaccional e programação neurolinguística. As suas páginas podem ajudar-nos, se quisermos, a compreender a importância das emoções, fundamentais para a comunicação, para aprendermos a dominar os nossos medos, as nossas raivas, a partilhar as nossas alegrias, para aprendermos a sorrir e a encontar o nosso equilíbrio.
"Ouçamos os nossos corações em conjunto!"


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