Beethoven

" E agora desfrutemos, nós, os que ganhámos ao jogo do Destino, que se serviu da desgraça de Beethoven para forjar a sua grandeza, desfrutemos a obra forjada: aquele prodigioso Scherzo da Heróica, turbilhonante e armado, aquele finale, dedicado à Alegria e à Liberdade, aquelas danças e aquelas marchas exultantes, aqueles arroios de risos, as ricas volutas daquelas variações!... E eis que, no meio, reaparece o Herói, o motivo inicial, o Destino da vida, que no começo se ignorava e que agora alcança o seu escopo, aquela Vallendung (consumação perfeita), que é o alvo de Beethoven, e de que ele tantas vezes fala nas suas cartas... Mas reaparece também a Morte, que é o além da Vitória- Desta feita, a Vitória nega-a. E a voz da morte fica afogada sob os bramidos da Alegria, num tropel de multidão da Revolução, que cala a pés as Bastilhas e salta por cima dos túmulos..."
"Beethoven" de Romain Rolland.
Aqui registo também as palavras de Lopes Graça, tradutor desta magnífica obra:
" Ambicioso chamamos nós ao cometimento de Rolland. O seu Beethoven não é apenas mais uma biografia do autor da 9ª Sinfonia, coisa que não podia trazer grandes novidades do ponto de vista da investigação. Pretende ser mais do que isso e aí é que reside o ambicioso da empresa. Procurando aliar a investigação à exegese, a musicologia à psicologia, procurando em suma, surpreender, à luz dos documentos ( as próprias obras do compositor, os seus cadernos de esquissos, os testemunhos contemporâneos, etc.), o próprio processo interior de gestação artística, seguir os meandros que do subsconsciente trazem à plena luz a obra realizada, a criação genial (...) monumento que ocupa lugar de primeira plana na vasta bibliografia consagrada ao mestre das Sinfonias"

